Se você está familiarizado com meu trabalho, já deve ter me ouvido dizer que o sucesso de qualquer psicólogo como profissional liberal depende fundamentalmente do seguinte ponto:

Reputação.

Isso não significa que você pode ter só reputação e ser incompetente. Só que, ser competente sem ter reputação é algo que não ajuda muito também.

Aliás, o mundo está cheio de bons psicólogos que não conseguem sobreviver com a profissão. Por outro lado, há aqueles que talvez nem sejam tão bons mas acabaram, por vários motivos, tornando-se conhecidos e por isso sendo muito procurados.

Novamente: reputação.

Se você quer conseguir viver bem atuando na clínica, preste muita atenção:

Estude, prepare-se, seja o melhor que você puder em sua área, mas compreenda que sem “aparecer” fica muito complicado evidenciar sua competência para o mundo.

Já diz o ditado: “quem não é visto, não é lembrado”. Costuma não ser contratado também.

O problema é  que “aparecer” costuma incomodar a muitos psicólogos, que me perguntam:

Afinal, por que é preciso “aparecer”?

Porque você vive em um mundo no qual as pessoas são bombardeadas por estímulos o tempo todo. E se você quer despertá-las para conhecer mais sobre o que você pretende oferecer, é preciso que você aja como um destes estímulos. Não é aparecer para convencer as pessoas a te contratarem e tomar o dinheiro delas, é aparecer para evidenciar o que há de bom naquilo que você faz, e deixar as pessoas escolherem se desejam ou não consumir seu serviço.

Dito isso, eu te pergunto, com muito amor:

Você se sente à vontade se expondo?

Fala sério. Você fica totalmente à vontade com o fato de se promover, de ver sua cara estampada num site, de divulgar seu trabalho, enfim, você se sente confortável ao fazer marketing de si mesmo?

Se não fica, você tem companhia. A má notícia é que continuar assim não é uma estratégia muito inteligente.

Eu mesmo, acredite, me sinto esquisito ao me expor.  Na verdade penso que quase todo mundo tem receio e se sente meio “esquisito” quando começa a se expor para construir reputação.

Mas lá vamos outra vez: o que eu quero dizer exatamente com se expor?

Quero dizer que você precisa mostrar a cara. Ou melhor, mostrar suas ideias. Isto significa escrever artigos, fazer palestras, gravar vídeos, dar entrevistas, criar uma fã page, enfim, mostrar-se ao mundo.

Só que existe a vergonha, né?

Quando eu comecei a gravar meus primeiros vídeos, por exemplo, embora eu conseguisse falar com lógica e me expressar bem, eu morria de vergonha.

Já na hora de escrever eu tinha um pouco mais de facilidade, pois é algo que sempre gostei de fazer, mas mesmo assim alguns artigos no início da carreira eu escrevia já pensando na vergonha que seria se alguém criticasse ou não gostasse.

Encaremos o fato: Expor-se é tenso. E muito!

Por exemplo, a primeira vez em que olhei a home de meu website, fiquei completamente estupefato. Embora eu estivesse empolgado e feliz, havia uma sensação desconfortável de que as pessoas iam me ver, iam me julgar, me avaliar.

A palavra exata na verdade nem é vergonha: É inadequação.

Eu me sentia inadequado. E muita gente se sente assim.

Foi por isso preparei este artigo com três sugestões simples para te ajudar a se expor de forma mais segura e tranquila.  A ideia aqui é compartilhar um pouco de minha experiência para te ajudar nessa jornada, que de fácil não tem nada.

A primeira dica parece idiota, de tão óbvia, mas muita gente fica travada por não pensar nisso.

Uma excelente maneira de acabar com o medo de se expor é:

1 -Expor-se até passar

Não tem jeito, você só aprende a se expor, se expondo.

É igual aprender a dançar. No início você fica meio sem graça, faz uns movimentos duros, erra um pouco, corrige, até dominar os passos. Mais tarde, quando você se acostuma com o ritmo e fica totalmente à vontade, começa até a criar suas próprias variações dos passos.

E é justamente quando começa a criar seus passos que sua personalidade aparece e você começa a se divertir mesmo.

Especialmente se você tiver uma personalidade mais reservada, ao começar seus esforços de marketing, você vai demorar um pouco para “gostar da coisa” de verdade e se soltar.

Não encare isso como um sinal para parar. Pelo contrário, continue que você se acostuma.

E tenha certeza de uma coisa: pior do que está não fica. (eu acho né…)

Quando comecei a fazer as palestras do “Psicólogo Empreendedor” pelo Brasil, era um parto. Eu fica ansioso, suado, tenso, com medo de algo não dar certo ou de alguém me contradizer.

Mas o que eu fiz? Continuei.

Mesmo com medo eu ia, até o ponto em que ganhei segurança a ponto de começar a me divertir lá na frente.

E acredite, eu me divirto. 🙂

Comece fazendo apresentações para pequenos grupos, talvez até pessoa de sua comunidade, igreja, trabalho. Se você trabalha com mães, há muitas delas carentes por ouvir uma palestra relevantes. Escreva algum artigo simples, mas relevante, sobre aquilo com que você trabalha, e ofereça a algum site. Acredite, muitos sites vivem procurando colunistas e conteúdo interessante.

Sei que pode parecer assustador, mas sempre vai parecer se você não começar. Vão aos poucos, mas apareça!

Agora vamos a um requisito fundamental para você conseguir se expor de forma totalmente “sem vergonha”, no bom sentido é claro.

2 – Respeite seu estilo

Não sei se você sabe, mas eu não sou o único a trabalhar com desenvolvimento de carreira para Psicólogos no Brasil.

Há outras pessoas neste nicho, e uma delas, a quem respeito muito, é o Bruno Rodrigues, do Marketing para Psicólogos.

Se você já viu alguns vídeos meus e do Bruno Rodrigues, ou leu textos dos dois, deve ter percebido que temos estilos COMPLETAMENTE diferentes.

Eu tendo a ser uma pessoa mais acelerada, sou mais sarcástico, mais crítico e direto ao ponto, o Bruno já é mais dócil, acolhedor, mais tranquilo. Ele é objetivo também, mas de uma maneira diferente.

Para falar a verdade, eu até acho o jeito dele mais simpático do que o meu, mas eu vou fazer o quê?

Eu tenho este jeito, esta personalidade.

Guarde estas palavras:

A pior coisa que você pode fazer ao projetar sua imagem, é tentar criar algo que seja muito diferente de você.

Então, se você é espontânea, barulhenta e divertida, seja assim. Mas se você é uma pessoa mais centrada, reservada, e séria, sem problemas.

Logicamente, você deve investir  em melhorar suas habilidades de expressão oral e escrita, mas sempre tendo o cuidado de respeitar seu estilo. Se você não fizer isso, fica forçado.

Já viu uma pessoa que não é engraçada tentando ser engraçada? É ridículo.

Eu consigo colocar humor em algumas situações, mas de uma maneira muito velada e um pouco debochada.  Só que eu não sou, nem de longe, uma pessoa engraçada. E se eu tentar ser, provavelmente vou gerar a famosa “vergonha alheia”.

Acredite em mim, se o seu conteúdo for pertinente e você ficar à vontade com seu jeito de ser, as pessoas em geral vão gostar. Óbvio que haverá quem não goste. Muita gente me acha seco e até arrogante às vezes.

Mas se nem Freud agradou a todos, por que logo eu iria?

Por mais estranho que possa ser seu jeito, encontre uma forma de se comunicar que esteja totalmente alinhada a ele.

Vá por mim que dá certo.

3 – Não tenha medo de emitir opiniões

Sabe quando alguém vai fazer uma palestra e parece que a pessoa está só repetindo conceitos e não coloca sua própria opinião?

Isso é um problema.

Quando falo em se expor, não estou dizendo apenas para aparecer fisicamente repetindo ideias e pontuações de terceiros. Estou dizendo para colocar SUAS opiniões no que você faz.

Em outras palavras, não tenha medo de ser crítico, afiado, ou de desafiar o status quo. Muitas vezes, é justamente isso que te faz ser respeitado.

E eu já disse ali em cima, mas repito: por mais bem-intencionado que você seja, algumas pessoas simplesmente não vão gostar de você.

E tem mais; quanto mais popular você se tornar, mais pessoas que não gostam de você vão aparecer. Elas vão surgir das nuvens, sair de bueiros, brotar da terra, cair das árvores e se erguer das profundezas do mar.

Isto acontece por um motivo simples: nem todos nós temos as mesmas opiniões e gostos.

Então é o seguinte:

Quando você começar a se expressar, especialmente se tiver opiniões e ideias que saiam da “cartilha” tradicional, você vai ser alvo de pessoas que pensam diferente. Algumas serão gentis em discordar, outras mais ríspidas, e há até quem chegue a te ofender.

E é AQUI que estão dois segredos fundamentais:

O primeiro é: não se abale.

Você não pode atribuir sua segurança e auto estima à opinião das pessoas. Claro que você fará o melhor para agradá-las. Mas se mesmo assim não gostarem, releve. Sempre haverá pessoas te apoiando, e é nelas que você deve se concentrar.

E o segundo segredo, tão importante quanto o primeiro:

Você jamais deve procurar deliberadamente entrar em confronto com quem te critica. Mas também não deve, nunca, em hipótese alguma, ter medo de dizer o que realmente pensa, ou recuar diante de uma provocação. (a não ser que se prove, factualmente, que você estava enganado).

Você deve, de preferência, ser gentil em tudo que fala e escreve, mas sem deixar de ser autêntico. Não escreva ou fale com o objetivo de ser “gostado” simplesmente. É claro que você quer que as pessoas gostem de você, mas não a ponto de deixar suas convicções e seu estilo de lado.

E agora, para finalizar, a razão maior para você perder a vergonha de fazer marketing, se expor, escrever, palestrar, dançar, sapatear ou seja lá o que for:

Lembre-se de que é por uma boa causa

Se você é daqueles que fica se sentindo um pilantra ao se expor para fazer com que as pessoas se interessem por seus serviços, tenho uma perspectiva para você:

Seu objetivo principal não é ganhar dinheiro, é ajudar as pessoas a melhorar algum aspecto de suas vidas.

Como psicólogo, você tem o privilégio de poder proporcionar bem-estar às pessoas e ver a vida delas transformadas. É claro que você quer a grana, mas ela é uma consequência.

Você já deve ter ouvido a frase:

“Quem tem por que viver, suporta quase qualquer como”.

O que eu quero dizer com isto é que não é simplesmente por você que é preciso se expor. Nem mesmo pelo dinheiro. ´

É pelas pessoas cujas vidas você quer transformar.

Entenda que quanto mais você se expuser, quanto mais pessoas sua mensagem alcançar, mais vidas serão transformadas através de seu trabalho.

A motivação para enfrentar o julgamento público não é algo egoísta ou mesquinho, e sim a vontade legitima de ajudar as pessoas a vencerem suas dores e alcançarem seus sonhos.

E sem hipocrisias aqui: você não é um santo nem um demônio. É um ser humano. Quer grana, quer uma vida próspera, quer viver bem, quer lagosta na manteiga. Mas ao mesmo tempo você quer fazer isto ajudando legitimamente a seu público alvo.

É esta compreensão maior que vai lembra-lo de que isto tudo não se resume a um jogo capitalista e sórdido em busca de dinheiro. É muito mais que isso. É um propósito de vida transformado em um negócio do bem que tem o potencial de mudar para melhor a vida de muitos seres humanos.

Tenha isto em mente da próxima vez em que a vergonha te cutucar, e você vai ver que ela fica minúscula frente a um propósito de vida tão grande. É seu dever ético educar as pessoas sobre o que a psicologia pode fazer por elas.

Não seja omisso.

AUTOR

BRUNO SOALHEIRO

Desde 2003, quando se graduou em Psicologia, aborreceu-se com o fato de o curso não enfatizar nenhum aspecto mercadológico da profissão, o que fazia com que a maioria dos psicólogos acabasse tendo que abandonar a carreira ainda no início.

Um belo dia, em 2014, após 11 anos de experiência no mundo das organizações, trabalhando em multinacionais e como consultor, decidiu fazer algo sobre aquele “incômodo” do passado, e começou um projeto que tem como missão transformar a maneira como a sociedade percebe e consome os serviços de Psicologia no Brasil e no mundo.

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