Se você passou por alguma rodovia nos últimos dias pode ter percebido uma – relativa – nova campanha: Maio Amarelo. É um movimento internacional com o objetivo de sensibilizar as pessoas para um trânsito seguro e mais humano, além de trabalhar a conscientização para redução de acidentes de trânsito.

E o que é que os psicólogos tem a ver com isso?

É isso que iremos descobrir nessa entrevista com o psicólogo Fábio de Cristo. Fábio é consultor, pesquisador colaborador na UnB, professor no UniCEUB e administrador do Portal de Psicologia do Trânsito. Autor do livro “Psicologia e trânsito – reflexões para pais, educadores e (futuros) condutores” e coorganizador do livro “Pesquisas sobre comportamento no trânsito”.

Espero que goste!

Daiana Rauber.

 


 

1- Fábio, você atua e é especialista na psicologia do trânsito. Por que escolheu essa área e qual seu envolvimento, atualmente, com a psicologia do trânsito?

Minha escolha foi feita na graduação, quando cursei uma disciplina de psicologia do trânsito. Na ocasião, percebi ainda mais a beleza da psicologia, investigando e intervindo em contextos diversos. O trânsito mata mais de 45 mil pessoas anualmente no Brasil e essa é uma justificativa importante para buscarmos conhecer e atuar junto ao comportamento no trânsito.

Mas existem outros desafios, por exemplo, como incentivar as pessoas a usarem o transporte público ou exercer a mobilidade ativa, isto é, caminhar e usar a bicicleta para deslocar-se para o trabalho.

Meu envolvimento com a área vem desde a graduação até hoje, na realização de um pós-doutorado na Universidade de Brasília.

2- A psicologia do trânsito ainda é um nicho de atuação pouco comum entre os psicólogos. Por que você considera que poucos profissionais se interessam pelo tema?

Ninguém escolhe fazer aquilo que desconhece. A psicologia do trânsito precisa ser mais vista e lembrada na graduação. A área não é percebida como um espaço de atuação promissor quando os alunos estão na graduação.

A psicologia do trânsito não faz parte da grade curricular obrigatória e poucas instituições dispõem dela na grade complementar.

Vários alunos, por outro lado, começam a perceber a psicologia do trânsito quando se formam; muitas vagas de trabalham aparecem nas clínicas de avaliação psicológica conveniadas aos Departamentos de Trânsito.

 

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3- Você já tem um trabalho voltado à divulgação do tema, com livros e portal na internet. Como você vê a psicologia do trânsito e seus serviços serem percebidos e consumidos hoje?

Sim, tenho alguns trabalhos de divulgação, além das minhas pesquisas.

Por exemplo, fundei o Portal de Psicologia do Trânsito, que disponibiliza várias informações sobre a área (artigos científicos, relatórios técnicos, formação profissional e eventos). Também fundei a Rede Latino-Americana de Psicologia do Trânsito, que reúne vários profissionais e pesquisadores com o objetivo de disseminar as informações da área. A inscrição é gratuita por meio do Portal de Psicologia do Trânsito.

Publiquei ainda dois livros, sendo um para o público geral, envolvendo educação para o trânsito (“Psicologia e trânsito – reflexões para pais, educadores e (futuros) condutores”), com uma abordagem diferente dos livros tradicionais sobre o tema, levando o leitor a refletir sobre seu próprio comportamento a partir da psicologia.

No outro livro, intitulado “Pesquisas sobre comportamento no trânsito”, estão reunidas várias investigações sobre motociclistas, motoristas e pedestres a partir de uma abordagem multidisciplinar, sendo um livro mais técnico que sugere aplicações práticas dos resultados dos estudos.

Essas iniciativas são pioneiras na área, pois quando eu comecei a estudar psicologia do trânsito não encontrava caminhos por onde começar.

Hoje os psicólogos têm!

Os psicólogos do trânsito se sentiam desamparados de iniciativas como essas e pela escassez ou ausência de cursos de especialização na área, de maior atenção por parte do Conselho Federal. Os psicólogos e as instituições de trânsito carecem de opções de formação e atualização, além dos livros.

Para avançar ainda mais, acredito que a psicologia do trânsito precisa amadurecer e colocar em prática a ideia de criar uma associação brasileira profissional, de modo a sistematizar as metas e as demandas da área de maneira criteriosa, organizada e com força política e técnica.

Assim, ganhará mais força, reconhecimento e influência.

4- Sabemos que a psicologia do trânsito vai muito além das avaliações relacionadas à CNH. Afinal, como a psicologia no trânsito pode contribuir com o objetivo de campanhas como o “Maio Amarelo”? Quais as outras contribuições possíveis?

As possibilidades são inúmeras, desde uma contribuição individual do profissional até a contribuição a partir de um grupo de psicólogos ou de uma categoria no estado. Por exemplo, com palestras em escolas, universidades e empresas, até cursos, campanhas e eventos, que podem ser criados ou que podem ser buscados para contribuir com outros eventos já organizados.

Os temas a serem discutidos podem envolver, por exemplo, os cinco principais fatores de risco para a organização mundial da saúde:

  1. Excesso de velocidade,
  2. Beber e dirigir,
  3. Não uso do capacete,
  4. Não uso do cinto de segurança,
  5. Não uso doo dispositivo de retenção para crianças (cadeirinha).

5- Devido seu engajamento na área, poderia falar um pouco do seu olhar sobre a importância da psicologia do trânsito, aspectos que de alguma maneira, fizeram você se identificar com a área e também podem fazer com que outros psicólogos se interessem pelo tema?

Os jornais e telejornais frequentemente mostram acidentes e tragédias no trânsito. São motoristas, motociclistas, pedestres e ciclistas que, deliberadamente ou não, comportam-se de maneira perigosa.

O que leva as pessoas a fazer barbaridades no trânsito?

Este é o desafio de muitos profissionais, dentre eles o psicólogo.

Essa pergunta me levou ao estudo da psicologia do trânsito, e passados mais de 10 anos, ainda acredito que podemos contribuir para a qualidade de vida nesse espaço social.

Contudo, esse desafio precisa de profissionais muito bem preparados, proativos, que gostam do que fazem e que são capazes de enfrentarem desafios de lidar com o ser humano, com as instituições de trânsito e com a sociedade.

Quem está disposto? Vamos tentar?

 

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