Quando coloquei as mãos em meu diploma de psicologia, no final do ano de 2003, eu sentia basicamente duas coisas: Alegria e medo.

Um pouco de alegria. Muito medo.

Embora eu houvesse feito um bom curso, numa boa instituição, tirado nota máxima no TCC e até ter tido a honra de ser o orador da turma, a verdade é que eu estava completamente perdido e assustado com o que o futuro profissional me reservava.

Completamente.

As razões para isso eram muitas, e não vou explicá-las em detalhes aqui. Mas vou, nas próximas linhas, te falar sobre três erros bastante comuns cometidos por recém-formados em psicologia e oferecer algumas perspectivas para você conduzir melhor sua carreira.

As dicas são orientadas para recém graduados, mas qualquer psicólogo pode se beneficiar delas, considerando que muitos passam a vida sem atentar para estes erros.

Ao final do artigo, minha ideia é que você possa rever completamente alguns conceitos sobre sua atuação e consiga, imediatamente, colocar as sugestões dadas em prática.

Então vamos lá, considerando que você quer ter uma carreira de sucesso atuando na psicologia como profissional liberal ou empreendedor, a primeira coisa que você não deve fazer imediatamente após se formar em psicologia .

Erro 1 – Entrar de cara em uma pós-graduação sobre psicologia

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Antes que você dê um grito, eu explico:

Não quero dizer que fazer uma pós-graduação seja algo desnecessário. Ao contrário, em nossa profissão precisamos sempre nos atualizar e estudar muito.

A graduação está longe de cobrir tudo aquilo que precisamos aprender.

No entanto, quando sai da faculdade de psicologia você já é – ohhh – um psicólogo, e supostamente tem condições de oferecer seu serviço.

E o problema está é aí:

Embora tenha condições técnicas de oferecer o serviço, você provavelmente não faz ideia de como atrair as pessoas para usá-lo.

Dito de outra forma, você tem muito conhecimento técnico sobre a psicologia em si, e praticamente nenhum conhecimento sobre como fazê-la funcionar como um negócio. É como ter um carro e não saber dirigir. A teoria existe, você sabe aplicá-la, mas não sabe fazer com que se interessem por ela.

Agora pense comigo: Muita psicologia e pouco conhecimento de mercado. Será que é realmente hora de aprender MAIS psicologia?

O problema em se formar e entrar imediatamente em uma pós-graduação sobre temas relacionados à psicologia, é que você vai se aprofundar ainda mais sob o ponto de vista técnico e continuar não fazendo ideia de como se estabelecer na prática.

Claro que a pós vai te trazer mais conhecimento e um título, mas também vai empatar um tempo e dinheiro que são preciosos em início de carreira. O risco que você corre ao seguir este caminho, é o de ser vítima da mesma situação em que vejo alguns colegas de profissão:

São EXCELENTES psicólogos… sem clientes.

Fale a verdade, quantos pós-graduados, mestres e até doutores você conhece por aí que são super-ultra-mega estudados, e mal tem pacientes em seus consultórios?

Eu conheço vários.

E a razão é simples: Para quem quer atuar como profissional liberal, embora os títulos sejam importantes, eles estão longe de serem determinantes.

Acredite em mim: Seus futuros clientes dificilmente vão te escolher por causa de seus títulos, e a maioria deles está pouco se lixando para sua abordagem ou para aquela especialização bacana. Eles te escolhem, na maioria das vezes, por causa de uma coisa:

Reputação.

E reputação se constrói, primariamente, com estratégia de mercado.

Por exemplo, se ao sair da faculdade você se focar em aprender sobre posicionamento de mercado, sobre como escrever bons artigos e fazer boas palestras, vai atrair MUITO mais pessoas para seu consultório do que conquistando um título de especialista ou mestre.

Sua ciência é a psicologia, mas se quiser atuar como profissional liberal, entenda que você está no negócio de marketing.

Note que você passou 5 anos de sua vida aprendendo a parte técnica de um trabalho, agora o que você precisa é aprender o que deve ser feito para as pessoas virem “comprar” este trabalho de você.

Por isso, minha sugestão prática para quando se formar é: Estude sobre empreendedorismo e marketing para profissionais liberais, entenda sobre a parte “negocial” de seu trabalho e comece a movimentar seu consultório.

Aí sim, parta para uma pós-graduação e comece a pensar em mais conhecimento formal e títulos acadêmicos. Neste início, em vez de pagar uma pós, invista numa boa supervisão enquanto faz seu trabalho de marketing para construir credibilidade.

Aliás, uma opinião sincera: Você vai aprender muito mais atendendo a clientes e tendo uma boa supervisão do que fazendo qualquer pós-graduação que exista neste planeta.

Sei que é tentadora a possibilidade de se tornar um especialista ou mestre, entendo que existe uma leve insegurança técnica assim que nos graduamos, mas se você ficar excessivamente focado em aprender só psicologia, vai acabar se tornando um estudante profissional e ficar sem entender a razão de as pessoas não te procurarem no consultório.

Equilibre conhecimento técnico com estratégia de mercado, só assim você vai conseguir movimentar sua atividade clínica.

E agora vamos para o segundo erro, que eu já vi deixar muitos psicólogos seriamente desiludidos

Erro 2 – Investir pesado num consultório super chique e bacana

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Outro dia eu estava conversando com uma cliente de consultoria, graduada há 10 meses, que se encontrava extremamente chateada por não estar obtendo retorno com sua linda e nova clínica.

É a velha história de sempre.

Ela e duas amigas alugaram um espaço com fachada, investiram em pintura, logotipo, móveis chiques, tapete bacana, fizeram folders lindos, distribuíram na região e… nada.

Durante a conversa dava para perceber a angústia no ar.

Foram 4 meses preparando tudo, investindo uma grana, fazendo contrato, escolhendo decoração, aquela empolgação toda… e as pessoas simplesmente não procuravam o serviço. Um ou outro gato pingado entrava para perguntar, e os pouquíssimos pacientes que elas conseguiam era através das indicações individuais de cada uma, o que nada tinha a ver com a nova “clínica”.

Pois então, o que há de errado aí?

Simples, estão tentando vender serviços de psicologia utilizando a mesma lógica usada para se vender viagens turísticas ou comida mexicana. Montaram um local bonito, – e caro – fizeram anúncios no jornal e distribuíram panfletos bacanas.

Não é assim que funciona.

As pessoas não escolhem psicólogos através de panfletos ou fachadas bonitas. Elas escolhem a partir de indicação ou, o que é melhor ainda, quando este psicólogo produz algum conteúdo que vai ao encontro exato da necessidade delas.

É infinitamente mais fácil um cliente te procurar por que assistiu a uma palestra sua ou leu um texto interessante seu na web, do que por causa de um panfleto ou fachada bonita.

Sim, há valor em se ter um lugar elegante, mas em 99% das vezes não é isso que atrai os clientes.

E sobre “ter um consultório prório” acredite, para o cliente é indiferente o fato de o consultório ser seu, meu, ou da prima do irmão da sua sobrinha. Desde que você tenha um lugar decente e apropriado para atender, vão te respeitar.

Não há necessidade – neste primeiro momento – de empatar seu dinheiro em coisas chiques e caras.

E definitivamente não vá gastar com publicidade, cartazes e/ou folders de papel super ultra elegantes.

Em vez disso, gaste seu tempo e seu dinheiro fazendo um website de autoridade e se focando em oferecer conteúdo para seu público alvo.

Subloque um espaço legal, por apenas algumas horas semanais até você começar a ter clientela, e vá aumentando isto gradativamente. Apenas quando você já estiver bem estabelecido e com boa clientela, pense em ter algo seu ou gastar grana com infraestrutura.

No caso específico citado acima, com um terço do que gastaram na “clínica” as três amigas poderiam ter feito um belo website e investido em criar conteúdo – artigos, vídeos, palestras – para oferecer a seu público alvo.

Conforme os clientes fossem aparecendo, atenderiam em espaços sublocados e somente depois de terem ganhado reputação e clientela, investiriam em um espaço mais bacana.

No entanto, preciso reconhecer que há sim, uma exceção a esta lógica:

Se você mora numa cidade pequena do interior, – eu já morei – destas em que as pessoas se acham muito chiques e pensam fazer parte da aristocracia inglesa, um lugar bonito pode fazer bastante diferença.

Mesmo assim, se puder, subloque um espaço legal em vez de empatar dinheiro logo depois de se graduar, e invista em escrever artigos para jornais locais e fazer alianças com os “importantes” da cidade.  Nestes micro ambientes afetados, a melhor forma de ser bem sucedido é entrar para o “High Society” local.

Eu sei, a sociedade pode ser ridículas às vezes e você jamais pensou que tivesse que se sujeitar a isso pra ter clientela.  Mas é o mundo dos negócios.

É claro, você pode deixar isso tudo de lado e se tornar empregado  de alguém. (ou fazer concurso, se quiser). 🙂

E agora vamos para o terceiro – e talvez o mais importante erro – que você deve evitar logo após pegar o canudo se o seu objetivo é realmente ter uma carreira independente.

Erro 3- Focar-se exclusivamente em Psicoterapia

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Então quer dizer que você quer lotar seu consultório? Bom, muito bom.

Mas só isso?

Tudo o que você consegue enxergar na sua frente é um consultório lotado?

Pense comigo nas seguintes questões:

  • Quantas pessoas no Brasil tem realmente condições financeiras de investir num processo psicoterapêutico?
  • Quantas pessoas do seu nicho devem existir na cidade aonde você mora?
  • Das pessoas que moram na mesma cidade, e tem dinheiro, quantos estão dispostas a iniciar um processo tão íntimo, e geralmente longo, como a psicoterapia?

Tenso, não é mesmo?

Mas então eu estou dizendo que a psicoterapia é algo ultrapassado e ruim?

De forma alguma.

A psicoterapia é a ferramenta mais tradicional com a qual os psicólogos trabalham, e sob diversos pontos de vista é a mais completa.Um processo psicoterápico bem conduzido é algo que pode gerar transformações valiosas na vida das pessoas.

Portanto que isso fique claro: A psicoterapia pode e deve ser valorizada.

No entanto, existem diversas outras opções e formatos para você trabalhar com seu conhecimento como psicólogo. E o mais interessante é que estes outros formatos podem, ironicamente, te trazer vários clientes para a clínica.

A questão é a seguinte: Se você não cria opções, limita muito as possibilidades das pessoas comprarem o seu trabalho.

Isto é o que vários psicólogos fazem.

Eles oferecem atendimento clínico e pronto. Compra quem e quiser e puder, e quem não puder que vá vivendo como for possível.

Isto não é bom para o psicólogo, que vira e mexe fica sem clientes. E acredite, não é bom para a sociedade, que acaba por não ter acesso a tudo o que o psicólogo pode oferecer.

A pergunta chave aqui é:

De que formas você vai embalar seu conhecimento para vender às pessoas?

Na faculdade você provavelmente foi treinado a entregar seu conhecimento somente através do atendimento clínico. Portanto, é isso o que você busca fazer quando distribui seus cartões. E acredite, funciona muito pouco.

Preste atenção:

Para ter sucesso você precisa oferecer às pessoas diversas formas de entrar em contato com o valor que você oferece.

Pense Fora da Caixa. Varie.

Geralmente as pessoas que contratam meus serviços no Psicólogo Empreendedor, têm consigo mesmas que o que elas precisam fazer é movimentar seus consultórios através de mais clientes para a psicoterapia.

No universo destes psicólogos a atividade clínica é o vetor central, a oferta definitiva, e muitos não conseguem sequer imaginar oferecer outros tipos de serviço com seu conhecimento.

Mas vamos ver isto exemplificado que fica mais fácil de entender.

Suponhamos que você é um psicólogo ou psicóloga que trabalha com relações amorosas e que sua especialidade é ajudar casais a terem um relacionamento saudável e harmônico”.

Excelente nicho de mercado.

Agora eu te pergunto: quais são as diversas formas através das quais você pode ajudar casais a terem um relacionamento mais saudável e harmônico?

Veja minhas sugestões:

  • Você pode fazer palestras sobre relacionamento;
  • Você pode ter um workshop para casais que querem melhorar o relacionamento;
  • Você pode ter um curso online sobre relacionamentos;
  • Você pode ter uma oficina vivencial sobre relacionamentos;
  • Você pode escrever um livro sobre relacionamentos amorosos;
  • Você pode – olha ela aí – oferecer terapia para casais que desejem um melhor relacionamento.

Percebe a diferença de perspectiva?

Você está ampliando as formas pelas quais os clientes podem utilizar seu conhecimento, em vez de se focar em um único formato. Muita gente que nem poderia, neste momento, pagar por terapia, vai poder se beneficiar de um pouco do que você tem a oferecer.

E mais, esta pessoa acaba se educando para a importância de cuidar de suas emoções.

Mas não acabou ainda.Quando deixa de ficar bitolado apenas em “psicoterapia”, veja o que acontece:

  • Você passa a ter ofertas de diferentes preços;
  • Você atende a pessoas de diferentes localidades geográficas (dependendo do produto/serviço);
  • Você otimiza seu tempo x receita (um workshop de uma manhã para 25 pessoas pode te render aproximadamente 1500 reais)
  • Você divulga mais seu nome e aumenta o alcance de sua mensagem;
  • Um serviço serve automaticamente de propaganda para os outros;
  • Você demonstra mais expertise e ganha mais respeito do mercado;
  • Você ajuda MUITO mais pessoas com seu trabalho.

É claro, lógico, óbvio que as diferentes formas de serviços terão diferentes impactos na vida dos seus clientes.

Um casal que assista suas palestras sobre relacionamento pode obter algum benefício. Mas claro que se este mesmo casal ler seu livro, vai se aprofundar e obter muito mais benefícios. Se fizerem seu workshop de 2 dias então, mais benefícios ainda. E naturalmente, se eles entrarem num processo psicoterapêutico com você, os benefícios tendem a ser fantásticos.

Moral da história: diversifique.

A psicoterapia é apenas UMA de suas ferramentas. Não fique bitolado nela. E pode ter certeza, a cada palestra e/ou curso ministrado, maiores chances você tem de que te procurem no consultório.

Resumo da Ópera

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O fim da graduação é um momento tenso e cheio de expectativas em qualquer profissão, mas no caso da psicologia esta situação é mais complexa.

Por termos um curso que ignora completamente os aspectos mercadológicos necessários para o desenvolvimento da profissão, saímos aprendendo a fazer ciência, mas sem qualquer conhecimento prático de mercado.

Um absurdo.

A consequência direta disso é que, quando decidimos atuar como profissionais liberais, fazemos as coisas sem orientação e acabamos empatando tempo e dinheiro em ações que têm muito poucos reflexos nos resultados finais.

Por isso, se você é recém graduado – ou está deixando um emprego – e quer atuar de forma independente, minhas sugestões são:

1-  Não entre de cara em uma pós sobre mais psicologia:

Isso seria indicado se você quisesse fazer carreira acadêmica, ser docente ou pesquisador, mas se o seu negócio é atuar na clínica por conta própria, espere um pouco. Invista primeiro em conhecer os aspectos negociais de seu trabalho, estabeleça-se no mercado, e só depois vá se afundar em mais ciência.

Cuidado para não se tornar um excelente psicólogo sem clientes.

2- Não gaste seu dinheiro montando um lugar super pomposo e chique

Se você for rico, ignore esta sugestão e vá tomar uma Chandon.

Do contrário, invista seu dinheiro e tempo em um site legal e no desenvolvimento de habilidades como escrita, oratória e networking. Subloque um espaço bacana, mas sem alto custo fixo, e vá construindo sua reputação através de artigos, palestras e parcerias.

Somente depois – se quiser e puder- invista em algo mais luxuoso. Não é o luxo que vai fazer você atrair a maioria das pessoas.

3- Diversifique suas ofertas de serviço

Psicologia não é sinônimo de psicoterapia. Mas é isso que nos fazem pensar nas faculdades.

Crie serviços e produtos para quem não quer- ou não pode – pagar pela psicoterapia, e você estará fazendo um favor a si mesmo e a seus futuros clientes.

Cursos, oficinas, workshops, treinamentos, todos estes são formatos interessantes que geram pontos de contato com as pessoas e acabam -pode acreditar – indiretamente trazendo pessoas para a clínica.

E por último, um recado:

Não acredite nesse povo derrotista que povoa as faculdades e espalha que a psicologia é uma profissão que não dá retorno financeiro. O problema não é a profissão. O problema são eles e sua incompetência para transformar um conhecimento tão maravilhoso em algo que a sociedade queira consumir.

Psicologia não é filantropia nem sacerdócio. É uma ciência e também uma profissão. Entender isto é a melhor forma de ajudar a si mesmo e à sociedade ao seu redor.

Um grande abraço, espero que tenha gostado, e se puder deixe seu comentário aí embaixo. Eu leio todos. 🙂

Autor

Bruno Soalheiro

bruno.soalheiro@academiadopsicologo.com.br

É coach, palestrante, co-fundador da Academia do Psicólogo e autor do livro “Psicólogo Empreendedor, tudo o que você não aprendeu na faculdade”.

Desde 2003, quando se graduou em Psicologia, aborreceu-se com o fato de o curso não enfatizar nenhum aspecto mercadológico da profissão, o que fazia com que a maioria dos psicólogos acabasse tendo que abandonar a carreira ainda no início.

Um belo dia, em 2014, após 11 anos de experiência no mundo das organizações, trabalhando em multinacionais e como consultor, decidiu fazer algo sobre aquele “incômodo” do passado, e começou um projeto que tem como missão transformar a maneira como a sociedade percebe e consome os serviços de Psicologia no Brasil e no mundo.

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